A Escola Picolino de Artes do Circo completa 25 anos em 2010. Nestas duas décadas e meia de existência na cidade de Salvador como escola de arte circense, associação não governamental de arte-educação, companhia circense, ou simplesmente como circo montado permanentemente em diversos pontos da cidade, a Picolino ganhou um significado e uma relevância cultural que ainda carecem de avaliação da sua dimensão e importância na história do circo no Brasil.
Ao completar 18 anos, a Picolino registrou sua trajetória de 1985 a 2003 em um almanaque, publicado em 2004. Em 128 páginas coloridas, alegres e divertidas, como um espetáculo circense, sistematizou suas histórias. Ao ler o almanaque é possível ter uma idéia da importância da Picolino para a vida de crianças e jovens da cidade de Salvador, é possível ver como o trabalho frutificou, transformou a vida de milhares de pessoas, gerou arte e artistas.
Agora, aos 25 anos, a Picolino que ir adiante, quer ir além do registro. Neste site, quer avaliar suas ressonâncias, ouvir, investigar as conseqüências do seu trabalho sob a ótica cultural, econômica e social.
Quais conseqüências resultaram do trabalho de integração de jovens de diversas realidades sociais através da arte circense? Quais transformações no mercado de trabalho, na memória afetiva, na visão de mundo é possível identificar? Que mudanças provocaram na nossa realidade as milhares de aulas-hora ou as centenas de espetáculos, a convivência proporcionada pela Picolino nestes 25 anos de existência? São estas respostas que buscamos.
As crianças e adolescentes que passaram pela Picolino tomaram rumos diversos. Muitas se tornaram artistas de circo e atuam hoje como profissionais no Brasil e também no exterior. Alguns permanecem na escola, no trabalho de formação de novos artistas, outros seguiram caminhos diferentes, mas seguramente têm hoje uma visão de mundo e uma postura de vida que trazem as marcas da educação e convivência sob a lona da Picolino.
Há também uma forte vertente de agregação com outras escolas e instituições. A Picolino foi essencial na organização de encontros nacionais e promoção do debate sobre o papel e a importância da atividade circense no país. No âmbito estadual, os artistas da Picolino atuaram de forma decisiva na criação da Cooperativa de Circenses da Bahia, o que resultou na organização dos pequenos circos que circulam hoje pelo estado, com reflexos objetivos na auto-estima dos grupos e na viabilização da captação de recursos para sua manutenção.
Projetos acadêmicos já se debruçaram sobre o trabalho da Picolino. A mídia também tem registrado sua trajetória e os arquivos dos jornais e emissoras de rádio e TV são testemunhas desta história. Mas a Picolino quer fazer este registro na primeira pessoa, oferecer para o distinto público a sua versão, o seu testemunho deste ciclo de 25 anos, que não se fecha, mas continua repercutindo vida afora.