Uma conversa sobre o Parque de Pituaçu, divulgação do abaixo-assinado em defesa do parque e o lançamento do Cordel da Terra, de autoria de Zé Conquem, com a participação de músicos e artistas circenses estão entre as atividades progamadas para este domingo (10) no quiosque do Parque de Pituaçu, a partir das 10h30.
Em seguida os manifestantes farão uma caminhada até o Circo Picolino, onde acontecerá um show do Grupo Botequim e convidados, com serviço de bar e feijoada.
A manifestação é organizada pelo movimento em Defesa do Parque de Pituaçu, uma iniciativa da comunidade de Pituaçu, Circo Picolino, Grupo de Teatro Reciclarte e Grupo Ecológico e Humanista Papamel. O movimento conta com o apoio do Grupo Botequim e da Áudio R Sonorização.
abaixo-assinado eletrônico do movimento
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=parque
Veja histórico recente da ações em defesa do parque, em post do blog Bahia na Rede:
Até às 23 horas deste domingo 1162 pessoas já haviam asssinado o pedido de intervenção ao Ministério Público para barrar as construções ilegais no parque de Pituaçu, promover a retirada dos invasores e restabelecer os limites do parque.
Há mais de um ano e meio, em setembro de 2009, ambientalistas divulgaram manifesto que denunciava graves problemas de ocupação, poluição e desmatamento. Pediam revisão da poligonal do parque. O documento alertava para a continuidade das invasões, que reduziram a área delimitada na criação do Parque , em 1973 de de 660 para menos de 400 hectares.
Praticamente nada aconteceu de lá para cá. Nenhuma providência resultou em alteração do quadro.
Em dezembro de 2009, audiência no Ministério Público Estadual reuniu o procurador-geral de Justiça Lidivaldo Britto, o secretário estadual do Meio Ambiente Juliano Matos, o comandante geral interino da Polícia Militar, coronel Jairo José da Cunha, a promotora de Justiça Hortência Gomes Pinho. O chefe do MP sugeriu o estabelecimento de um pacto de tolerância zero para impedir qualquer nova construção no parque.
Providências sem resultado foram tomadas e as invasões de pobres, de ricos e de remediados continuaram.
Apenas um inquérito civil foi aberto pelo MP, segundo matéria de dezembro de 2010, quando o jornal A Tarde volta a alertar sobre as invasões. A reportagem revela também que mesmo com a constatação de mansões com piscina, casas de pessoas de baixa renda e até empresas construídas dentro da unidade de conservação ambiental, apenas dois casos viraram ações judiciais propostas pela Procuradoria Geral do Estado (PGE). Os demais estariam sendo analisados por um grupo de trabalho composto por vários órgãos estaduais.
As invasões se aproximam da ciclovia que circunda a lagoa, criada com a represa do rio Pituaçu, em 1906, para abastecimento humano, uma das primeiras obras públicas do engenheiro negro Teodoro Sampaio.
A lagoa é circundada por pequenas colinas, que abrigam remanescentes de mata atlântica e das quais se avistam o mar aberto. São estas colinas que vêm sendo ocupadas sistematicamente pelos invasores de colarinho branco.
Além das invasões toleradas pelo poder “público” enormes áreas do parque foram doadas, pelo ex-governador Paulo Souto, à Universidade Católica, ao Instituto de Cardiologia e Escola de Magistrados.
No governo Wagner, o parque foi vítima, sobretudo, dos impactos provocados pela ampliação do Estádio de Pituaçu, que está praticamente colado com a ciclovia, ocupando também uma área do parque.
Frise-se que estão previstas novas obras para o Estádio e região entorno em função da Copa 2014 e novos impactos afetarão a reserva ambiental.